quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

ABC perde Milton Andrade, aos 72 anos.

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Primeiro, Philadelpho Braz, agora, Milton Andrade.
O ABC tem sofrido, por esses dias...

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Luzia Maninha/Livraria Alpharrabio


Milton Andrade foi um dos criadores da Fundação das Artes e dedicou-se ao incentivo à cultura

Radicado no ABC desde 1960, Milton Andrade – formado em Direito e Letras – morreu na manhã desta terça-feira (1º/12), aos 72 anos. O corpo será velado até às 10h desta quarta (02/12), quando sairá para o Crematório da Vila Alpina, em São Paulo. O velório ocorre no Hospital São Caetano, na rua Rio Grande do Sul, 790 (fone 2889-7000), em São Caetano.

Milton Andrade

Nasceu em Itapira. De seu extenso currículo profissional, constam atividades ligadas às mais diversas manifestações artísticas, como música (Coordenador Geral do Festival de Inverno de Campos de Jordão, em 1980, criador da Orquestra Sinfônica Juvenil do Estado de São Paulo e membro fundador da Associação Pró Música do Grande ABC), artes plásticas (Criador e organizador do Salão de Arte Contemporânea de São Caetano do Sul, em 1967, Diretor Técnico do Museu de Arte Moderna de S.Paulo – MAM, em 1987) e, em especial, ao teatro, quer seja atuando como Diretor de importantes montagens como As Máscaras, A Mandrágora, A Ceia dos Cardeais, quer seja como ator em espetáculos como Um Dia Muito Especial (Ettore Scola), Divinas Palavras (Valle Inclán), Macbeth (Shakespeare), Rasto Atrás (Jorge Andrade), Ivanov (Thecov), ao lado de atores do porte de Laura Cardoso, Rodrigo Santiago e Antonio Fagundes, atuando como membro de júri de importantes prêmios ou, ainda, assinando uma coluna de crítica teatral no Diário do Grande ABC (1985 e 1986).

Como dramaturgo, é autor Réquiem para um Louco, Garanto que uma Flor Nasceu e Versos à Boca da Noite (texto teatral sobre a moderna poesia brasileira). Como ator tem atuado com regularidade também na TV, em novelas da TV Globo como Esperança, Os Maias, Terra Nostra e outras, bem como participa com freqüência de comerciais.

Na área da literatura é membro do Grupo da Pedra, Itapira, SP, colaborou em diversos jornais, dirigiu revistas culturais e foi membro de júris de concursos literários. Publicou, pela Alpharrabio Edições, o livro de poemas Inventor de Paisagens.

Dentre outras importantes atividades, foi Criador e Diretor da Fundação das Artes de São Caetano do Sul, em 1968, membro do Conselho de Curadores da Fundação Padre Anchieta. Reconhecido como homem de cultura, foi agraciado com importantes prêmios e honrarias como Cidadão Emérito de Itapira, Personalidade do Ano: Cultura, em SCS e em 1999 a revista Livre Mercado outorgou-lhe o Prêmio Desempenho de Empreendedor Cultural.

(Fonte: Repórter Diário, com informações da Livraria Alpharrabio)


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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Portal da Mansueto Cecchi: reportagem TV+

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MANIFESTO EM MEMÓRIA DE UMA CIDADE PERDIDA

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O manifesto abaixo, de minha amiga Fátima Guides, quer nos fazer pensar naquilo em que nossa cidade vai se transformando, rapidamente. O texto e as fotos dispensa, maiores apresentações.

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MANIFESTO EM MEMÓRIA DE UMA CIDADE PERDIDA
(e juro que não é a Santo André da Borda do Campo!)
Para quem a carapuça servir:
A reivindicação do passado não se efetua na cópia, mas na preservação do autêntico, já dizia Ramon Gutierrez.

E hoje eu estou aqui só para isso, para reivindicar o MEU passado. O passado que trouxe o meu avô entusiasmado com a possibilidade de trabalhar numa cidade que se formava com tantas indústrias. Um passado que trouxe na outra ponta da minha árvore genealógica o meu pai que veio descalço num trem do interior de São Paulo estrear seu sapato novo no seu trabalho novo numa cidade nova.

Estou reivindicando uma memória que não só é (ou já era!) fisicamente construída, mas sonorizada, ouvida aos finais de semana num bairro inteiro que se erguia. Como uma orquestra: casas que juntas eram construídas em meio a uma confusão incessante de carriolas, pás, marteladas consecutivas, literalmente, o próprio tumulto da construção. Esse era o bairro e a cidade que meu avô descrevia. Mal dava pra se conversar à mesa aos domingos, tamanho era o barulho...

Essas casas de operários do meu bairro... estão indo uma a uma...

Seus grandes quintais dão lugar a essas caixinhas de fósforos conhecidas - e admiradas por muitos! como “apartamentos sem condomínio”(???), que o poder público teve a infeliz idéia de aprovar através de uma lei.

Paulistarum Terra Mater... Cadê você? Não te reconheço mais...

Não vejo mais aquela igreja, não vejo mais as casas de avós com terraço, a casa que minha mãe brincava, o morro no horizonte, as árvores nas calçadas, os quintais...

Só vejo sombras. E sombras físicas provocadas pelas paredes imensas coladas lado a lado dos seus muros - e dos meus também! Antes não fossem sombras e sim, sobras de alguma coisa.

Tudo se foi e vai indo a cada dia. Arquitetos, construtores, empresários, mercado imobiliário e poder público se prostituem e trocam o valor de uma história pelo valor monetário imediato, sem pensar nas conseqüências para a paisagem urbana e, pior, apagando a memória de suas cidades em nome do progresso(?) das mesmas. Até o progresso precisa de alguma ordem!

E cito as palavras de Gaston Bachelard “de que adianta dizer que da minha janela se via a colina?”. Quem se importa comigo ou com minha janela?

Somos todos coniventes com esse chamado progresso... Sonhamos em ir a Europa, juntamos dinheiro para conhecer Paris, Roma,... Ah! Sim! Essas sim são cidades que tem história! Onde a gente mora só tem coisa feia e velha. Credo! Casas caindo aos pedaços, feitas de barro? Com argamassa que nossos próprios pais, avôs, tios (incluem-se aí o artigo feminino de todos eles) faziam com areia que escorria na rua vinda da chuva? Que alarde todo por causa de um “portalzinho”?

Outro dia li num livro uma frase ótima que dizia que TODOS temos obrigação moral de sermos responsáveis por nossos atos e palavras e, inclusive por nossos silêncios.

E afinal, qual é a paisagem da cidade que queremos?

Se for isso mesmo, permaneçamos mudos, só vendo o bonde passar por cima da nossa história e o caminhão passar por cima de nosso portal, de braços cruzados.

Eu sinceramente creio que uma cidade sem passado, não tem futuro.

Fátima R. Mônaco Guides – Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela FAU-USP.

Imagens de nossa cidade que foram apagadas pelo mercado imobiliário:


Abaixo: Vila construída pela Rhodia para seus funcionários na década de 1940, Rua das Figueiras. Fotos tiradas em 2006. A parte interna (segunda abaixo), teve todas as casas demolidas em 2007.























Abaixo: Chácara que pertenceu a Camilo Peduti, loteador do Bairro de Camilópolis. Primeiras duas fotos: casas de colonos. Terceira: escolinha para crianças. Quarta: escritório da loteadora. Fotos tiradas em 2005. Edificações demolidas em 2008, após um pedido de tombamento da área (Que interessante, não? Pedimos o tombamento e as casas foram demolidas...).















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Casa localizada em Santa Terezinha, tipologia típica das casas feitas por operários da década de 1940. Foto tirada em 2007.

Casa demolida em 2008.














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Abaixo: Rua do Centro, bairro de Camilópolis.

Transformação da paisagem urbana. Fotos tiradas em 2007. Casas que foram demolidas.














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Abaixo: Tipologia de habitação rentista da década de 1950.

Bairro de Santa Terezinha. Foto tirada em abril de 2006.

Edificações demolidas em 2008.














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Provável vila operária tipo “correr de casa” construída ao lado da fábrica pela Atlantis para uso de seus funcionários, ainda na década de 1920. Fotos tiradas em 2005. Casas demolidas em 2007.













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Abaixo: Casas localizadas no Bairro Jardim. A primeira ainda existe, porém completamente descaracterizada, sem a fonte, etc. Foto tirada em 2006. A segunda foto, abaixo, também de 2006, é de uma casa localizada na rua das Figueiras, já demolida para dar lugar a um estacionamento.















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Fábrica que se localizava no início da Rua Guilherme Marconi, ao lado da Vila Operária do Ipiranguinha. Foto tirada em 2007. Já demolida.














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Tomada aérea da Rhodia Química, já sem alguns de seus antigos galpões.

Foto tirada em 2002. Hoje, outras construções da área já foram demolidas.














A mais recente perda:

Portal da Vila Mansueto Cecchi, em Santa Terezinha. Fotos tiradas em abril de 2006. Portal derrubado por um caminhão no 2º. Semestre de 2009.














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Vista aérea de Santa Tertezinha na década de 1940. À esquerda, em círculo, avista-se o portal da Vila.















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Eduardo Leira

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Aquilo que Eduardo Leira diz sobre a cracolândia é uma verdade para todo centro de cidade: a ocupação do espaço pela classe média é a maneira mais adequada de recuperar o sentido do urbano nesses lugares, junto com o incentivo à expressão dos diversos aspectos da vida: o centro deve ser o lugar do trabalho, do lazer, da moradia, do estudo... E isso sem expulsar os que já moram lá!


Cracolândia precisa de morador de classe média, diz arquiteto espanhol

Filipe Redondo/Folha Imagem
O arquiteto espanhol Eduardo Leira percorre a região da cracolândia, no centro; para ele, presença de moradores de classe média ajudaria a recuperar a área

MARIO CESAR CARVALHO
DA REPORTAGEM LOCAL

A cracolândia só vai começar a acabar no dia em que o frequentador da Sala São Paulo sair de um concerto e voltar a pé para o apartamento em que mora do outro lado da avenida. A provocação é do arquiteto e urbanista espanhol Eduardo Leira, 65, autor de projetos na Espanha, em Portugal, na Rússia, na Colômbia e na China.
"Temos de fazer com que aqueles que vêm aos concertos vivam aqui do lado. Sem a classe média, é muito difícil mudar áreas degradadas como essa", afirmou num passeio pela região da Luz, centro de SP, feito a convite da Folha. Para ele, a classe média é importante porque seria capaz de romper o ciclo segundo o qual degradação gera mais degradação.
A imagem do morador de classe média na cracolândia tem dois conceitos-chave de Leira: necessidade de misturar classes sociais num mesmo espaço urbano e crença de que o carro destrói as cidades.
Leira diz que não existe receita mágica para recuperar áreas degradadas, mas tem algumas pistas do que deve ser feito. Uma delas é a necessidade de que o morador antigo da região não seja expulso com a melhora do espaço.
Outro conceito-chave: é essencial envolver a iniciativa privada, diz, porque o poder público não consegue dar conta de todas as demandas que existem. Uma de suas ideias é que o próprio lucro gerado pelos empreendimentos privados sirva para subsidiar a moradia dos mais pobres.
"A prefeitura precisa dar incentivos para o mercado imobiliário melhorar o espaço público. Aqui o mercado imobiliário não está acostumado a dar contrapartidas para o bem público. Isso tem de mudar", afirma Leira, que veio ao Brasil participar da Bienal de Arquitetura e do Mercocidades, evento em São Bernardo.
O grande desafio, de acordo com ele, é descobrir que tipo de incentivos levará o mercado imobiliário a cuidar do espaço público. "Não adianta os planejadores inventarem um investidor imaginário. É preciso jogar com as regras do mercado."
Leira não esconde um certo escárnio ao ficar sabendo que a prefeitura começou a tentativa de revitalizar a cracolândia com a instalação da Guarda Civil Metropolitana e a derrubada dos prédios de uma quadra: "É fácil derrubar meia dúzia de casinhas e colocar a polícia aqui. O mais difícil é você transmitir a ideia de que o projeto é sério, que é para valer".
Leira elogia a iniciativa do governo paulista de construir um centro cultural a partir de um projeto do escritório suíço Herzog & De Meuron. "O projeto é fantástico pela permeabilidade, ele parece flutuar."
Ele se espanta ao saber que os moradores das quadras que serão demolidas não devem continuar vivendo no bairro: "Como assim? Não há um plano para realocar essas pessoas aqui? Sem essas pessoas, os bairros ficam sem alma".
Apesar de elogiar os espaços culturais como a Sala São Paulo, ele avalia que eles não são suficientes para revigorar a região. "Esses centros são muito voltados para si próprios. O que essa região precisa é de ocupação constante, gente sentada em mesas de bar na calçada, tomando café ou caipirinha."
Ao ver um grupo com cerca de 40 dependentes de crack correrem com a chegada de um carro de polícia e se reunirem no mesmo local dois minutos depois, Leira estanca o jorro de ideias. "Eles precisam de tratamento. Para isso, o urbanismo não tem solução."

Folha de São Paulo, Caderno Cotidiano, 01.12.09.


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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Água de Lavadeira

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"Água de lavadeira detergente/
desinfetante lava-roupa/
cera líquida..."

Ouço a voz do vendedor de produtos de limpeza desde sempre. Desde antes de me conhecer como gente. O estribilho cadenciado, o primeiro "i" de "líquida" em um tom mais alto, o "da" desmaiado no final. Mas há um outro, que chegou bem depois. Eu lembro com clareza da primeira vez que passou na rua, porque, naquele dia, como hoje, vinha tocando "Garota de Ipanema" na Kombi, em versão instrumental. Ainda agora, tanto tempo passado, a incongruência da trilha sonora, evocando a praia, o sol, a areia, quando estamos aqui em um mundo tão diferente, sempre me espanta. É como se a água de lavadeira pudesse deixar esse cinza mais claro, se o desinfetante houvesse de limpar e perfumar as nossas calçadas desengraçadas. Mas esse mesmo vendedor me dá outra surpresa, que acho melhor e mais bela: ao anunciar suas coisas, o homem vai falando assim: "Limpa-vidros, álcool perfumado e outros produtos, TAIS COMO..."

Ouvir essa construção sintática do vendedor de cândida me faz sorrir toda vez.


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terça-feira, 14 de julho de 2009

Uma Possibilidade Distante. Distante?

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Fico sonhando, cá na província, se um dia o neto do neto do meu neto mais novo vai ver o Tamanduateí e sua várzea transformados em algo parecido com aquilo que fizeram com o rio Cheonggyecheon, em Seul.

Era assim:













Ficou assim:













Em nosso caso, o Tamanduateí era assim:











Várzea do Carmo em 1821, aquarela de Arnaud Julien Pallière, 1821.

Ao chegarem do Rio de Janeiro ou de Santos, e já na entrada da cidade pelos lados do Brás, os viajantes tinham o privilégio de observar esta paisagem.

LAGO, Pedro Corrêa do. Iconografia paulistana no século XIX.

São Paulo: Metalivros, 1998.























Várzea do Tamanduateí, foto de Militão Augusto de Azevedo, c.1862.
Interessante notar os diferentes usos do rio feitos pelos moradores, usos esses denunciados pela presença de lavadeiras e tropeiros.
Acervo PMSP/SMC/DPH/DIM














Atracadouro e lavadeiras às margens do Rio Tamanduateí, c. 1890.
Crédito: Marc Ferrez



E ficou assim:












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Veja mais em:

http://ecourbana.wordpress.com/2009/05/23/revitalizacao-impressionante-do-rio-seul/
http://www.fotoplus.com/dph/info05/index.html
http://www.aprenda450anos.com.br/450anos/vila_metropole/1-5_rio_tamanduatei.asp


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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Santo André - Década de 50

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O filme abaixo - uma preciosidade - mostra as imediações da estação ferroviária, no centro "baixo" da cidade. Estão lá o "cocho" d'água para os cavalos e, contrastando com isso, a estrutura do viaduto que viria a unir por sobre o Tamanduateí os dois lados de Santo André. Duas realidades, uma ao lado da outra: o mundo agrário das carroças de carvão e verduras e a modernidade "atropelante" e dinâmica dos motores à explosão, que marcariam definitivamente a imagem da região do Grande ABC.
Alguns dos velhos prédios ainda resistem no centro. Mas o relógio com sua torre envergonhada deixou de existir faz muito tempo.
Por fim, reparem no seguinte: as pessoas são magras! De fato, naquela época havia poucos automóveis, grandes distâncias a serem percorridas - a pé, de ônibus, de bicicleta - e nenhum MacDonald...





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domingo, 12 de julho de 2009

Arrebalde

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Casa provavelmente da década de 30, na Praça Rui Barbosa, Santa Terezinha, Santo André.


Deixei esse blogue largado por muito tempo. Há um desânimo recorrente em se colocar contra a marcha triunfante dos fatos... Mas vamos adiante. Mudei o nome do blogue: o anterior era muito esquisito e não ajudava. Ampliei (ou deixei mais vago, o que vem a ser o mesmo, aqui) os seus propósitos. Se servir de meio para postar algumas fotos que marquem as transformações por que passa minha vila, já será algo que preste. Se puder indicar algo mais - um mal-estar pela falta de pensamento sistêmico, de projeto nas coisas da terra, terei ganho mais do que esperava.
Vamos ver. Vamos ver se consigo avançar.

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terça-feira, 14 de outubro de 2008

Chácara de Camilópolis - "Literalmente" Tombada...

















Pois bem: as construções da antiga Chácara de Camilo Peduti, não existem mais: tudo foi demolido, em mais um revés sofrido por aqueles que se ocupam da preservação da memória e do patrimônio histórico de nossa região. A pergunta: o proprietário, que sabia do pedido de tombamento, teve autorização da municipalidade para a demolição? A investigar e cobrar, pois há todo um trabalho de pesquisa, encaminhado pelo corpo técnico do Comdephaapasa, que se vê, agora, sem objeto (e um parecer prévio já havia sido apresentado ao Conselho).























domingo, 5 de outubro de 2008

VOLTANDO À CARGA: A CASA DE CAMILO PEDUTI

Depois de muito tempo, voltamos à carga, agora para falarmos do pedido de tombamento que o Comdephaapasa (Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico Artístico Arquitetônico-Urbanístico e Paisagístico de Santo André) está analisando.
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Trata-se da casa-sede e de outras edificações pertencentes à antiga chácara de Camilo Peduti, loteador de todo o bairro de Camilópolis (o que o nome do bairro não deixa de indicar...).














Abaixo, trecho do pedido de tombamento. Nele, vemos as justificativas que nos fazem crer que a comunidade só terá a ganhar com sua aprovação.


BREVE HISTÓRICO












O bairro de Camilópolis surgiu em meados da década de 1920, sob o nome de Vila Splendor. Entretanto, após o loteamento implantado por Camilo Peduti, passou a ser oficialmente Camilópolis. Localizado em volta de uma antiga chácara de café, viu sua expansão urbana acontecer mais intensamente a partir da década de 1940, momento em que se consolidou popularmente o nome de Vila sem Reboque: tal apelido surgira em virtude das casas do bairro ser construídas com tijolos assentados em barro e sem qualquer tipo de acabamento ou reboco externo, permanecerem assim por muitos anos.
Em propaganda veiculada no Semanário “Folha do Povo” em meados da década de 1920 aparecem os atrativos do local:

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“Terreno alto, pittoresco, saudavel, a poucos minutos da Estação de São Bernardo, do lado direito de quem vae para São Paulo, onde actualmente estão construindo a grande fábrica de Mettallurgia da firma Pignatari & Matarazzo, em frente a fábrica Nacional de Cartuchos e futura Estação de Utinga”.
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O bairro, assim como boa parte do 2º. Subdistrito foi ocupado predominantemente por operários das indústrias nascentes da região, a maioria, migrante do interior de São Paulo e estados vizinhos.
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Camillo Peduti, loteador do bairro, para atrair compradores na negociação de venda do terreno também fornecia gratuitamente materiais de construção como incentivo para construção imediata das casas como vitrôs, telhas, portas e janelas, e principalmente tijolos, mas, apesar do loteamento ter sido aprovado e implantado ainda na década de 1920, até 1950 quase não existiam ruas:

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“Para se chegar aos lotes as pessoas tinham que passar por picada. Construí minha casa em três sábados e domingos. Foi uma das primeiras casas do bairro (...) O contrato de compra do lote e a primeira prestação foram pagos em 30 dias após a construção da casa. No terreno usei portas, janelas e madeira financiadas por Camilo Peduti. Comprei algumas portas usadas na Rhodia. Minha casa, como tantas outras do bairro, ficou muitos anos sem reboque[1]”.
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Assim, os moradores do bairro se reuniam em grupos nos finais de semana e construíam suas moradias com o material de construção fornecido na compra do imóvel. Como argamassa para assentamento dos tijolos utilizavam uma composição de areia e barro, sendo esse um dos principais elementos construtivos das moradias. Dizia-se que as famílias esperavam as épocas de chuvas para, com as enxurradas, acumular no fundo do quintal areia “gratuita” que escorria das ruas de terra e, com ela fazia-se o barro[2]. As obras, com poucos e pequenos cômodos, cessavam quando terminavam os materiais disponíveis.
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“O pessoal comprava o lote e já ia construindo. Construía um comodozinho, quatro paredes e aí já entrava com a mudança. Depois ia construindo o resto. E deixava a parede sem reboque. Depois se construía as outras paredes, mas tudo sem reboque. E você olhava o bairro de longe era aquele vermelhão. Quem não ganhava tijolo, comprava aos poucos lá na Olaria entre as ruas Santo Antonio e Alemanha. Areia tirava do rio. De sábado e domingo era só gente tirando areia daquele riozinho que desce lá, hoje Jundiaí [3]”.
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JUSTIFICATIVA

A área em questão proposta para tombamento diz respeito à sede da antiga chácara de café da região, provavelmente de um período anterior a industrialização da cidade e que na década de 1920 deu origem ao bairro ao seu entorno.

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A chácara, com aproximadamente 13.000,00 m2, tem grande vocação para parque urbano visto que se insere em uma área densamente ocupada e carente de áreas verdes. As edificações internas à chácara estão em mau estado de conservação, mas, no entanto, são significativas para a história do bairro e também para Santo André sendo, talvez esse, o último exemplar na cidade desse período inicial do século passado onde chácaras como essas ocupavam grande área territorial dentro do município. Neste local ainda estão preservadas a casa sede da chácara, duas casas de colonos, parte de um galpão que funcionava como “escolinha” para os filhos dos colonos e o antigo escritório da empresa loteadora de Camilo Peduti.

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[1] Depoimento de Manoel Domingues da Graça, morador do bairro, para o Projeto Viva Cidade, 1991.
[2] Médici, A. Migração, Cidadania, Urbanismo. Santo André. 1991: 21.
[3] Depoimento de Jonas Joaquim Ramalho, hoje com 93 anos. Morador do bairro desde 1940.
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Se você considerar que é válida a idéia de se preservar, para as gerações futuras, a história e o espaço de nossa comunidade, envie uma cópia deste post para comdephaapasa@santoandre.sp.gov.br
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quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Uma foto perdida

Fui em busca de uma foto, uma foto de uma casa que eu sempre achei uma das mais bonitas aqui do meu bairro, um exemplo perfeito e muito bem preservado da arquitetura da década de 40 e 50, com sua varanda envidraçada dando para a rua e convidando para uma conversa de vizinhos; seu jardim com rosas vermelhas, o beiral do telhado cheio de ornamentos. De uma amarelo pálido, desmaiado, que combinava muito bem com as grades de ferro fundido que a cercavam, grades baixas, de um tempo em que o arame farpado, as cercas elétricas e os cacos de vidro eram desconhecidos. A conservação da casa de esquina sempre me tranqüilizava: ela era um modelo de resistência, e eu pensava que ali morava gente que de algum modo ignorava as demandas dos tempos de hoje, e dos tempos de hoje daqui de meu bairro, em que as velhas casas de ingênua elegância dão lugar aos minúsculos e banalíssimos apartamentos, seis, oito famílias no lugar onde morava uma única (sei, sei, dirão que é preciso pensar que toda gente tem de morar, e que o desenvolvimento do bairro passa por aí, e que isso é o progresso e o futuro que vêm chegando e que o resto é nostalgia, blábláblá... Concedo: estão todos certos, mas me deixem em paz.). Pois então: fui tirar a foto, e peguei o assassinato da casa.

Depois de mais de um mês

Desde julho que não postamos nesse blog. O trabalho, as exigências da vida, tudo conspira para nos afastar dele. Mas pouca coisa mudou: o Parque Pignatari permanece do mesmo jeito....
Seja feita justiça, no entanto, pois uma coisa mudou - ou aconteceu: a Guarda Municipal de Santo André agora está instalada no Parque. Se isso trará mudanças, é coisa a ver.


Mas a placa que carrega o nome do Parque continua mostrando como é que o Poder Público cuida dele:


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quarta-feira, 4 de julho de 2007

Com olhos sobre o parque

Recebemos também carta da Vereador Heleni de Paiva, com cópia da indicação ao prefeito Avamileno solicitando a manutenção no Parque Pignatari. Muito gentil, a Vereadora mandou o texto completo da indicação e as fotos que o acompanham, e que não diferem muito das que estão aqui no blog. Agradecemos o empenho, e esperamos que dê fruto.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Utinga Separatista!


Saiu na Folha de São Paulo de domingo, dia 24 de junho: "Há 50 anos..."
"Cansados de reclamar melhoramentos públicos, os moradores de Utinga, distrito de Santo André (SP), iniciaram um 'Movimento Separatista', para elevar a região à categoria de município. 'Não temos água, nem rede de esgotos, nossas ruas não são iluminadas e somente uma delas é asfaltada', afirma Antonio Santos, presidente do movimento.
Com 70 mil habitantes, Utinga contribui para os cofres de Santo André com Cr$ 90 milhões por ano, possui 40 fábricas e comércio organizado."
(Folha da Manhã, 24/06/1957)

Uma história ainda a ser contada é a das tentativas de emancipação do povo do lado de cá do rio...

sábado, 23 de junho de 2007

Sobre uma visita e árvores cortadas.

O Vereador Antonio Leite visitou o Parque no dia 02 de junho. Fazia frio naquela manhã de sábado, e logo começou a chover. O clima triste e nublado esteve de acordo com a situação que se viu. O Vereador lamentou e disse que vai buscar fazer com que a reforma e a manutenção aconteçam. Segundo ele, tudo começará em julho. Vejamos, ainda outra vez.

O Vereador também nos encaminhou o Ofício 204/2007 - Proc. nº 141/05, que solicita informações sobre o corte de árvores na Chácara. A resposta, assinada pelo Prefeito João Avamileno, diz que, segundo o Departamento de Parques e Áreas Verdes - DEPAVE, as árvores foram cortadas porque sofreram ataque de fungos, que acabaram por matar as plantas. Só que essa informação não foi passada para a comunidade ANTES de se cortar as árvores.
Resultado: o pessoal ficou muito bravo, e com razão.

Eis aí um cuidado simples de ser tomado, mas que a administração ignora, ao não perceber que existe gente que freqüenta o parque, gente que deve ser a referência mais importante para o gestor público.



sexta-feira, 1 de junho de 2007

A resposta do Departamento de Parques e Áreas Verdes


A ouvidoria do município de Santo André manda a resposta que o departamento de Parques e Áreas Verdes enviou, para nossas reclamações sobre a situação do Parque Pignatari. Muito gentil o ouvidor, solícito e elegante, mas o pessoal responsável pelos Parques, pelamordedeus!!! Olha só o responderam:

“ O Parque Antonio Pezzollo passa constantemente por manutenção, tanto civil, quanto de vegetação.
A pista de caminhada tem sua manutenção feita com pedrisco e serragem de acordo com a necessidade percebida pelo encarregado do Parque.
Quanto aos banheiros, sempre são trocados vasos e descargas e os mesmos são pintados, porém a ocorrência de vandalismo dificulta nosso trabalho.
Em relação a bicicleta, somente o Parque Central conta com uma ciclovia, que é o local indicado para o uso das bicicletas, por esse motivo não é permitida a entrada nos demais parques.”


Vamos por partes:

"O Parque Antonio Pezzollo passa constantemente por manutenção, tanto civil, quanto de vegetação. A pista de caminhada tem sua manutenção feita com pedrisco e serragem de acordo com a necessidade percebida pelo encarregado do Parque."

NÃO: o parque NÃO passa constantemente por manutenção. Há o pessoal da jardinagem, que está sempre por ali, fazendo o que se precisa fazer, mas a tal da manutenção civil, essa é de uma incivilidade atroz. Ora, bolas, basta ver as as fotos! Quanto à pista de caminhada, não falávamos dela em nossa reclamação: ela está mais-ou-menos, o problema são os ciclistas que invadem a pista, querendo atropelar o pessoal que se esforça em caminhar.

"Quanto aos banheiros, sempre são trocados vasos e descargas e os mesmos são pintados, porém a ocorrência de vandalismo dificulta nosso trabalho. Em relação a bicicleta, somente o Parque Central conta com uma ciclovia, que é o local indicado para o uso das bicicletas, por esse motivo não é permitida a entrada nos demais parques.”

PIADA!!! Será que quem respondeu a esse pedido vive no mesmo mundo que nós? É claro que os vasos e descargas não são trocados sempre: as fotos já estão ficando amareladas, e a situação é essa desde muito tempo...) Se o vandalismo prejudica o trabalho, o caso é impedir o vandalismo! De que adianta pintar e arrumar, se depois de dois ou três dias tudo vai estar quebrado? E pintar e arrumar mal e porcamente, porque na última reforma de peso, que aconteceu antes das eleições (é claro...é claro demais...) pintaram os muros e as paredes sem refazer o reboco, um servicinho de quinta categoria. Será que não há jeito de se evitar ou minimizar o vandalismo? Na entrada do Parque, há algo parecido com um posto da Guarda Municipal. Ora, os guardas municipais não estão lá para preservar o bem público?

Por fim, as bicicletas. Essa é para rir - se não quisermos chorar. O que dizíamos é que NÃO queremos as bicicletas no parque, e o pessoal de Parques e Áreas Verdes estufa o peito e diz que não permitem a entrada de ciclistas! Mas as bicicletas entram descaradamente no Parque, atrapalhando os pedestres. Repetindo: AS BICICLETAS ENTRAM NO PARQUE SEM QUE NINGUÉM IMPEÇA. Antes, havia uma placa que dizia que era proibido que entrassem. Foi até bom terem tirado essa placa, para evitar a humilhação.

Sabemos o que é isso: uma bruta autocomplacência, que faz as pessoas acharem que o que realizam é sempre bom, é sempre o máximo que se pode fazer. Um complexo de coitadinhos: "-ninguém vê o que fazemos, só que deixamos de fazer..." dizem os autocomplacentes, os carregados de autocomiseração. Essa é a grande praga: considerar que a mediocridade é o máximo, e que, para um pequeno parque perdido no suburbio, qualquer coisa é suficiente. Não, não é. Não basta passar cal uma vez por ano nas paredes que vão caindo, não basta podar o mato uma vez por mês, é preciso agir de modo a indicar o valor simbólico do parque, espaço público, para o bairro e para a cidade. E o Parque Pignatari, a antiga metalúrgica que deu seu nome ao bairro, é uma síntese de um modo pequeno e vulgar de se fazer política: o bem público, res publica, não é de ninguém, ao invés de ser de todos. Ou então, é de um bando de boçais que não se importam com essa manutenção de araque que a municipalidade faz. "Para quem é, tá bom..." A burocracia dos complacentes toma o lugar do agir dos cidadãos. Um administrador público que diz que o feio é bonito e o ruim, bom, deveria estar em outro lugar, onde lhe reconhessem os feitos...
E nem a placa da entrada conseguem manter limpa...

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Place de la Concorde

Passei hoje, indo ao trabalho, na Praça da Concórdia, nome altissonante para um parquinho de esquina e mais três pracinhas, todas também de esquina, formando um quadrado de verde rebelde, no cruzamento da rua Haia com a alameda México, sempre em Utinga. Vi que a prefeitura estava arrumando os brinquedos, fazendo a manutenção do espaço, mas sei que, uma vez arrumado e pronto, bem daquele jeito que sempre se faz, ficará ali, esperando o próximo que roubará o portão do parquinho para vender ao ferro-velho. Será possível que não conseguimos manter nem um praça que insiste em existir perto de nós? Será possível que tenhamos de esperar sempre um ano inteiro para que as coisas sejam ajeitadas, mal e mal, e depois, tudo se desmancha, à espera que o ano passe de novo?

domingo, 13 de maio de 2007

Para quê?

Talvez se pense que, diante de tantos problemas, de tantas questões que o país e o mundo vivem, insistir que se deve arrumar-e-manter-arrumado-e-limpo-e-bonito um parque no subúrbio de uma cidade suburbana seja uma perda de tempo, uma miopia política, pois, pelo menos, temos algo para chamar de parque, enquanto muitos não tem algo nenhum. Acreditar nisso é se condenar à imobilidade, à pasmaceira que nos envolve. Diante de tantos problemas, de tantas questões que nos sufocam, insistir na manutenção do Parque Pignatari é uma maneira de agir não só no bairro ou na cidade, mas no mundo. A caminhada de mil passos começa no primeiro. E a cidadania começa aí, na tua porta. E na minha. Começar é preciso - pelo que se pode fazer.

O Parque, o mesmo

Passou abril, maio já vai ao meio e nada de se arrumar o Parque Pignatari. Na reunião do orçamento participativo, dia 09, falou-se que a quadra vai ser coberta, como o combinado. Mas de que adianta uma quadra coberta se não se cuida nem das quadras ainda descobertas? Os banheiros, a pista de corrida, as paredes da administração, o parquinho, tudo continua do mesmo modo, ou seja, estragado e estragando. E as bicicletas continuam a disputar espaço com os pedestres.
Nem precisamos de novas fotos: está tudo igual...

domingo, 11 de março de 2007

Quanto às pichações e depredações no Parque, enviamos um e-mail à Câmara dos Vereadores de Santo André é à Ouvidoria do município. O Ouvidor Reinaldo Abud (ouvidoria@santoandre.sp.gov.br) respondeu afirmando que encaminhou o e-mail “ao órgão competente, para manifestação”. O Vereador Antônio Leite (antonioleite@cmsandre.sp.gov.br), aqui da região, respondeu dizendo que providências serão tomadas em abril, segundo informações que pôde obter.
Vamos esperar, ainda mais um pouco...

Aleph

Mas o parque dá a quem tem olhos para ver algo que não se pode roubar: pontos de vista, ângulos de acesso, um aleph suburbano – como todo aleph imaginado ou real – que mostra, de súbito, qualquer coisa que permanece desde sempre.



Repara...

Repara: a janela azul não é uma pintura, mas uma janela azul.


Opera Mundi


Opera mundi, em uma parede de um mais que central parque de arrabalde.


Resiste, ainda, alguma beleza ...

Resiste, ainda, alguma beleza sem aspas: um outro painel olha de dentro para fora do Parque Pignatari, vendo-o como deveria ser, como se desejaria que fosse.





sábado, 3 de março de 2007

Mais da mesma beleza

O banheiro masculino do Parque Pignatari, exemplo de liberdade de expressão que nos orgulha...

Coisa pública, res publica, que, no lugar de ser de todos, não é de ninguém. E aquilo que não tem dono qualquer um toma.

Ou suja.

Ou quebra.

Sempre com estilo, para mostrar como a cretinice é genial .



Lasciate ogni speranze...

Roubam-se as torneiras...

As telhas...

A válvula da descarga...

Lê-se o jornal...

E se assina a obra.

Outras belezas

Ao lado do painel, fiquemos também com a o que há de feio, de irritante decadência, no Parque que já foi fábrica, empresa metalúrgica, fábrica de purpurina de Baby Pignatari. As prensas funcionavam sem parar, na década de 40, e só os surdos ou pobres vinham construir e morar na vila que recebeu, em um exercício de absoluta falta de originalidade ou de excesso de inércia, o nome de "Metalúrgica".
Hoje, os mais velhos, temerosos de suas coronárias, se exercitam na pista de cooper, enquanto os jovens, sem se importar com eles, jogam bola nas quadras de cimento e passeiam com suas bicicletas onde não deviam, ignorando gloriosamente a regra que lhes pede ceder a passagem aos que não podem lutar por ela.

Passeiam todos por um parque quase bonito, quase arrumado: em suma, um exemplar típico da nossa auto-indulgente mediocridade .




Ouverture

Moramos do outro lado do rio, e dizemos ainda que vamos "à cidade" quando é preciso atravessar, em direção ao centro.
Separação geográfica que é também simbólica. Estamos e não estamos, pertencemos à distância, do outro lado.
E o nome vem de um riozinho sujo: Utinga, "água branca". E o riozinho fede, ironicamente, lembrando das primeiras impressões que causara aos primeiros que o viram.
(Foto: painel pintado em uma parede da EMIA do Parque Pignatari)